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ESTADÃO v. BLOGS: OS BLOGS CONTRAM ATACAM

August 17th, 2007  |  Published in A REDE  |  13 Comments

Depois da campanha do Estadão (clique aqui para ver a campanha), que ataca os blogs para dizer que conteúdo confiável você só encontra no jornal O Estado de S. Paulo, vários blogs já comentaram o efeito cascata negativo provocado. Se vale a pena ter um marketing viral negativo, na base do falem mal, mas falem de mim, o jornal é que vai avaliar.

Blogs vs EstadãoO Estadão parece ainda não ter entendido a blogosfera. Todos os blogs que o site do jornal hospeda não fazem referências externas, seus links apontam apenas para os blogs do próprio jornal. Como bem apontou Marcos Palácios em uma palestra recente, esse tipo de blog tem uma relação de parasitismo com os blogs, porque usa a forma, mas não conversa com a rede. É endógeno, não faz parte da blogosfera. Ao contrário dos blog “normais”, que praticam uma simbiose com a rede.

Estadão, por onde você tem clicado hein?Ao atacar blogs em geral, o Estadão também não dá importância as links de blogs que remetem a conteúdos de sites jornalísticos tradicionais - o que não é pouco.

Faço aqui a minha parte e lanço também uma campanha contra o Estadão. Basta colar a imagem no canto. A execução da idéia é da Yasodara Córdova.

[ATUALIZAÇÃO]: Um blog até começou uma campanha chamada A Arte Contra o Estadão. Vale conferir.  O blogueiro Álvaro Larangeira me enviou uma sugestão de campanha

RESPOSTA: A agência Talent divulgou um comunicado explicando a campanha.

Abaixo, alguns links para quem comentou o caso. Veja o barulho todo aqui, no Technorati (com quase 300 manifestações até agora)

Estadão faz campanha contra os blogs | Brainstorm #9

Eu Podia Tá Matando - eu podia tá matando, eu podia tá roubando mas estou aqui blogando

Campanha do Estadão em prol da credibilidade causa polêmica entre blogueiros

Estadão contra os blogs? - Pensar Enlouquece, Pense Nisso.

Estadão com medão dos blog-inhos - Techbits

Mundo Tecno - Novidades de Tecnologia - Campanha: Não compre jornal, preserve a natureza

Blog do Hummel: O preconceito contra Blogs: 3 dicas para mudar esse cenário

PS: Fora a primeira imagem, as outras foram tiradas dos blogs acima. Inclusive essa, abaixo:

Responses

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  1. Rodrigo Savazoni says:

    August 17th, 2007 at 1:28 pm (#)

    O comentário que Charles A. Miller deixou no Brainstorm 9. Muito bacana:

    “Na sala de diretoria do Estadão:
    - Chefe vamos embora?
    - Não dá, estamos perdendo leitores. Ainda bem que a Talent me propôs esta campanha genial.

    Na agência Talent:
    (publicitário aponta para um macaco)
    - Nosso novo redator já aprendeu a generalizar, até fez uma campanha para salvar um jornal que perde leitores a cada dia.
    - Genial!

    Agora, falando sério, srs. do Estadão:
    1) Tem muita porcaria na Internet é verdade. Tem muita coisa boa também.
    2) Acabou o tempo em que a grande mídia (meia dúzia de canais de TV e meia dúzia de jornais) ditava a “verdade” para o público. Hoje existem muitas fontes de informação, jornais e blogs são dois exemplos delas.
    3) Leiam (podem pesquisar em blogs) o que é “Jornalismo Cidadão”, “Web 2.0″, “Massa de Mídia”, “We, the Media”…
    4) Entendam que o negócio de vocês não é conteúdo jornalístico em papel e sim conteúdo jornalístico
    5) Aprendam a linkar.
    6) Usem sim Internet como fonte, permitam que seus textos sejam fontes na Internet. Selecionem suas fontes, verifíquem quando são críveis ou não.
    7) Um texto escrito por jornalista do Estadão ou do New York Times não é necessariamente melhor nem mais verdadeiro que um pequeno blog amador que, por acaso, deu um furo, por fotografar e comentar um fato na hora em que ocorreu.
    8) Todos sabem que a credibilidade da grande mídia está em baixa (manipulação política, interesses econômicos, matérias erradas sem apuração dos fatos, vários veículos apresentando a mesma matéria da mesma forma) etc.
    9) Copiar-colar é ruim, tão ruim quanto reproduzir conteúdo majoritariamente de agência de notícia.
    10) Saibam (se bem que vocês já sabem) que os blogs têm mais independência e capacidade de propagação de informação que vocês. Sejam humildes.
    11) Podem criticar os blogs ruins, assim como os blogs podem criticar jornais ruins. Mas, não sejam preconceituosos, nem chamem os blogueiros e leitores de bobos, burros ou macacos.

    Por Charles A. Müller, publicitário, leitor de blogs e que sabe ler e selecionar suas fontes.

  2. admin says:

    August 17th, 2007 at 2:07 pm (#)

    Acrescento um comentário bom da Teca, que tirei do site do Alex Primo:

    Olá ! Sairei da minha confortável posição de lurker para comentar o excelente post do Alex, pois, finalmente, acho que posso acrescentar algo ao debate. Sinceramente, não acredito que se trate de uma estratégia de Buzz da Talent. Se é este realmente o caso, me parece claro que os criativos da agência não fizeram sua lição de casa. O buzz tem origem no popular “boca-a-boca” e, como tal, seu objetivo não se restringe a fazer com que as pessoas comentem determinado produto ou assunto. Sua força está baseada na credibilidade dos chamados abelha-alfa (nome criativo pra “formadores de opinião”), aquelas pessoas que, dentro do seu grupo, são consideradas especialistas em algo ou modelos a serem seguidos e que são utilizadas para disseminar e agregar credibilidade à mensagem.
    Comentando com diversos amigos sobre a campanha, me parece que ela não teve tanta repercussão fora do mundo virtual quanto obteve junto aos blogueiros (sempre de forma negativa) e não acredito, sinceramente, que seja esse público-alvo da campanha.
    Minha hipótese é de que os blogueiros foram, simplesmente, “as vítimas da vez”, como acontece na publicidade com muitas outras “categorias”, digamos assim: os idosos, as louras, o “tiozão”. Imagino que o público-alvo da campanha seja aquela (expressiva) parcela da população que lê jornal e, esporadicamente, consulta a internet para se manter informado. Não são pessoas conhecedoras das particularidades da blogsfera, são pessoas que ainda têm uma certa desconfiança da veracidade e seriedade das informações publicadas no ciberespaço. Para elas, a campanha está tentando dizer: tudo bem que você navegue na internet, mas o jornal impresso (mesmo que seja em sua edição virtual) ainda é mais confiável.
    Conheço um monte de gente que pensa assim e acredito que seja pra eles que a campanha se destina. Uma evidência disso é que as peças foram criadas apenas para meios off-line e de massa: TV, jornal e rádio.
    Se olharmos no site da Talent, a campanha é apresentada da seguinte forma: “Campanha da Talent desmistifica sites da internet”. O texto fala que a campanha “expõe, de maneira bem-humorada, os riscos de consulta a sites na internet e divulga as novidades do site do jornal”.
    Duvido que alguém que acompanha de forma séria blogs e outros sites sinta-se persuadido a mudar seus hábitos pela campanha. Mas, pra quem não conhece bem o meio ou ainda tem medo do universo virtual, pode parecer interessante.
    Resumindo a ladainha: criação extremamente infeliz, mas, o pior é que, pra uma parcela da população, pode ser que dê resultado.

  3. CABRAL says:

    August 17th, 2007 at 6:49 pm (#)

    Oi André! Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo seu blog. Muito bacana!
    Sobre a campanha publicitária do Estadão, achei interessante como repercutiu de forma criativa, quero dizer, como os blogueiros reagiram à suposta ofensa de forma criativa. Mas acredito mesmo que a campanha não teve o intuito de chamar os blogueiros de macacos, a mensagem que ficou pra mim é mais ou menos assim: “Se você não tem como garantia a qualidade de quem escreve os blogs que você lê, confie no que você já conhece”.
    Mas deixo aqui minha crítica a esse tipo de campanha que não está no fato de comparar um blogueiro a um macaco, mas ao subestimar a capacidade crítica do leitor em escolher a fonte em que ele confia.
    Mas, infelizmente, campanhas como essas ainda são feitas porque algumas ou muitas pessoas ainda não se dão conta da própria capacidade de ser crítico ou de pensar a respeito do que lê.
    Portanto, talvez a mensagem subliminar esteja no chamar o próprio leitor de macaco, aquele, de imitação…

  4. Raquel Elena says:

    August 17th, 2007 at 7:49 pm (#)

    Olá André! Estou acompanhando, pelo menos tentando, essa confusão que o Estadão arrumou para si.
    Um amigo blogueiro postou algo e a partir daí só foi puxar a linha do novelo…

    É vergonhoso! Já nem tenho mais palavras para expressar tamanha indignação…

    http://joelminusculi.wordpress.com/ , o blogue do meu amigo Joel

  5. Saldanha (Imagens e Letras) says:

    August 17th, 2007 at 8:58 pm (#)

    Alô André! Agradeço a referência ao Imagens e Letras, estarei comunicando no blog aqueles que se expressaram sobre o assunto. Conheci seu espaço, gostei e isto amplia meus caminhos na net, provando que estamos rodeados de pessoas inteligentes, longe das insinuações do referido jornal. Abraço e Sucesso.

  6. Jorge says:

    August 18th, 2007 at 12:43 pm (#)

    Hola, q tal…
    Soy argentino y escribo en 2 blogs (www.valechumbar.com y labaseesta.blogspot.com). Yo estoy con ustedes, le doy mi apoyo.
    El problema de Estadao es que están celosos, no soportan que la gente crea más en los blogs que en ellos.

  7. Rogério Tomaz Jr. says:

    August 20th, 2007 at 12:58 am (#)

    os caras não aprendem, nem mesmo com o que acontece na metrópole (para eles)… rs

  8. Pedro Serra says:

    August 20th, 2007 at 11:42 am (#)

    André,

    estamos juntos. Também fiz a minha parte lá no meu blog…

    []s

  9. joão says:

    August 21st, 2007 at 11:18 am (#)

    Opinião

    Algumas observações

    1) A credibilidade dos Blogs: Existem vários tipos de blogs, e cada um para um público, então é meio díficil analisar como um todo, se separarmos os blogs com características de notícias e opinião, que seria uma possível concorrência com a agência Estadão. Realmente um título de jornalista ou algo parecido ao autor do Blog traz credibilidade, pois na graduação um aluno aprende todos os conceitos básicos e éticos de divulgar notícia e dar opinião, acredito que na graduação também se aprende a imparcialidade e todos os fundamentos como citações, fontes e outros. Mas claro, os outros blogs são mais divertidos de se ler, e que por outro lado, em alguns casos existe a falta de citação de fontes (crédito) da informação e imparcialidade. Cabe então ao próprio leitor sentir se o blog é tendencioso ou não.

    2) Generalização: O grande problema de todo conflito é a generalização, como dito acima, existem Blogs sérios com pessoas sérias e blogs que tem outro enfoque, os grandes conflitos mundiais seja religioso, político ou cultural, esta na generalização, falta de respeito e intolerância. O ideal em uma propaganda é apresentar os seus diferenciais e não atacar um concorrente.

    Neste caso, quase que o Estadão acerta, quando apresenta seu diferencial que é a credibilidade (em termos de profissionais especializados, nem vou entrar no mérito de imparcialidade, principalmente política aqui, mas…), mas errou (na minha opinião ‘feio’) ao atacar seu suposto concorrente, que em alguns casos são seus próprios leitores, que acordam cedo pegam o Estadão, fica entusiasmado com alguma notícia e corre para o computador para atualizar seu Blog pessoal. A imagem de um macaco não ficou bem colocado, mesmo tendo a intenção de risos.

    Acredito que as velhas mídias terão que se atualizar e de forma bem rápida.

    Oh! Estadão! pede desculpa no portal (on-line) e no jornal impresso, ficará melhor assim.

    Agora vou terminar de ler o caderno de Esportes da Folha de São Paulo

    João M. A. da Silva
    criticasconstrutivas.blogspot.com
    Data: 21/08/2007

  10. rodrigo says:

    August 28th, 2007 at 4:54 pm (#)

    Como bisneto de Júlio Mesquita, autor da frase ‘Não procuro dirigir nem criar a opinião pública no meu Estado. Ao contrário, procuro apenas sondar com cautela as opiniões em que o Estado se divide e deixo-me ir, confiado e tranquilo, na corrente daquela que me parece seguir o rumo mais certo’, prefiro acreditar que os gestores do Estadão pisaram na bola sem querer.
    Aqui, proponho um debate na procura de uma nova síntese.

  11. Mico Amestrado says:

    August 30th, 2007 at 12:00 am (#)

    O anúncio na TV chamou minha atenção pois botaram um Mico Amestrado lá. Esse pessoal de publicidade… “não leiam a besteira de lá, leiam a besteira de cá” hahahaha

    Agora resolveram chamar blogueiro e leitor de blog de Mico Amestrado hahahahaha. Para aqueles que não acharam o argumento grosseiro, não perceberam que aquele mico representa cada um dos milhões de internautas que percorrem diariamente blogs - bons ou ruins. Não que não sejam, necessariamente. É óbvio que quem acredita em tudo que lê, ouve ou vê é mesmo um Mico Amestrado.

    O problema é quem acusa. E acusa usando um argumento velho e batido: “se vc não consome meu produto, vc é um burro” (mico amestrado, no caso) O publicitário e o diretor que aprovou a campanha demonstraram sua miopia e desprezo pelo consumidor. Parece que esqueceram um dos fundamentos do marketing: segmentação. Produtos cada vez mais personalizados, ao gosto do freguês. Com a informação, não é diferente. O consumidor quer uma fonte de informação com a sua cara. Afinal, cada um acredita no que quer e os blogs chegam muito perto de satisfazer esse desejo. Os jornais não. Concordo com quem disse que o feitiço vai virar contra o feiticeiro.

    Hora de repensar o “Jornal”, como o conhecemos. Mesmo que “poderosos conglomerados econômicos da informação” insistam no modelo antigo, esse é um caminho sem volta. Eles não detém mais o monopólio da informação. Lembra Ford falando que poderíamos escolher qualquer modelo, desde que fosse preto. Parece que 100 anos depois, os jornais estão passando pelo mesmo dilema. Não dá mais para achar que internet, blogs, You Tube, Google, são fontes marginais de informação. Os médicos que o digam, diante de pacientes cada vez melhor informados.

    Não sou do ramo, falo como consumidor de informação. Tenho uma “base de informação” on-line composta por jornais, blogs, newsletters, enciclopédias, dicionários, messenger e skype e outra off-line: jornais, livros, revistas, rádios, canais de tv e pessoas. A soma disso tudo chamo de informação. Não vai ser um “jornal” que vai fazer minha cabeça. Nem um blog. Nesse caso, a soma das partes é maior que o todo.

    Não me considero leitor deste ou daquele jornal. No máximo, nutro alguma simpatia por um ou outro jornalista que, no momento, está empregado em tal jornal. Desconsidero completamente a linha editorial de qualquer meio de comunicação. O editor sou eu.

    Também não defendo apaixonadamente os blogs, como alguns fizeram aqui. Para mim não existe uma fonte única de informação que represente melhor a verdade. A isenção não existe. Está sujeita à interpretação de quem escreve e de quem lê. Dizer que a “qualidade de informação” de um jornal é melhor que a de um blog é apenas mais uma bobagem entre tantas que lemos nos jornais.

    Como diz o mesmo Estadão, em outra propaganda: “Antes de internauta, você é inteligente!”

    Pois é.

    Interessante observar que, se os 30 milhões de internautas brasileiros que visitam blogs são Micos Amestrados, o que será que eles pensam dos outros 160 milhões que sequer acesso à internet têm?

  12. ESTADÃO: RECONHECER O ERRO É DIFÍCIL : André Deak says:

    September 20th, 2007 at 10:21 pm (#)

    […] para que ficassem menores, para poder usar o iphone. Vários blogs deram, zoaram o jornal por causa daquela campanha, coisa e […]

  13. Comer também polui « Cabrunco na rede says:

    October 11th, 2007 at 11:18 pm (#)

    […] infelizmente, no Estadão; o jornal que chama blogeiro de macaco e acha que Pallas é um cometa.  Encontrei no Jornal da […]

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