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LONGE DA CASINHA DE BONECA

August 8th, 2007  |  Published in JORNALISMO, INFOGRAFIA, MULTIMIDIA, ENTREVISTAS  |  3 Comments

Julliana de Melo é vencedora do prêmio internet da Fundación para un Nuevo Periodismo Iberoamericano . Ela conta como é o trabalho dos especiais no JC OnLine, e como fizeram, especificamente, o multimídia LONGE DA CASINHA DE BONECA


Quantos são vocês no JC OnLine?
Um editor chefe, 2 editores assistentes, 4 repórteres, 3 estagiários, 2 web designers e 2 para o blog (Jamildo Melo, o blogueiro do site, e o assistente dele, Sílvio Burle). Os editores cuidam da home page, repassam pautas, mas também fazem matérias…. E editam, claro.

Como surgem os especiais?
As últimas notícias são o carro chefe. Os especiais também, mas não dá para tirar uma pessoa por um mês para isso, a equipe é pequena. Os especiais levam um ou dois meses (o casinha levou dois meses).

Então, uma vez por ano, fazemos uma reunião de conteúdo e design. E selecionamos alguns temas para fazer especiais. Aí, durante uma semana, alguem fica fora da pauta para fazer a reportagem, e fica ainda outra semana fora para bater o texto.

Como foi no caso do especial premiado?
Eu produzi e escrevi. Outra pessoa editou o português, passou o pente fino. A gente trabalha muito próximo ao web designer, pensamos juntos a navegação, como vamos apresentar o conteúdo. Depois de alguns anos, temos uma sintonia boa. Quem fica na produção monta o esqueleto do especial. As seções, como vai ser trabalhado.

Mas cada um interfere no outro (jornalista e designer). Passei para ele que iam ser cinco seções, ainda não tinha nome o especial. Eu pensei que cada seção fosse o ambiente da casa, o que acabou acontecendo. Ou seja, eu interferi no design.

O oposto também aconteceu. Eu estava fazendo a matéria sobre o desgaste físico, o designer sugeriu uma entrevista com um fisiologista, para dizer quanto gasta de calorias…. Achei bom, acabou entrando. Mas cada um é soberano na sua área. Se ele achar ruim minha sugestão, ele decide; e eu a mesma coisa.

Teve mais alguém que participou?
Algumas colaborações na parte final, na edição de vídeo. Eu não dominava, então tive ajuda. Montei o roteiro do vídeo, mas não sabia operacionalizar. Usava o Windows Movie Maker. Agora ganhamos o Adobe Premiere, acho até que o prêmio ajudou.

Todo mundo é treinado para tudo? Fazem vídeo, áudio, texto?
Aprendemos por conta própria. O Adobe, por exemplo. Chegou o software, o outro editor assistente está estudando por conta própria. Daí ele vai repassar os conhecimentos. No final, a idéia é que todo mundo saiba.

Como fizeram os vídeos?
Na época, fazíamos com câmera de turista. Essas fotográficas que também filmam. Agora temos câmera profissional. No caso do flagrante, pedimos emprestada a câmera da TV Jornal para filmar à distância, não tinha como fazer com câmera doméstica.

Os especiais tem bom índice de acesso?
Primeiro em acesso vem esportes, depois violência (a editoria local), e especiais. Os blogs também estão com bom acesso.

Vocês não usam muito flash. Por quê?
O uso excessivo de flash é condenado, nem todo mundo tem acesso, pode ficar pesado. Então a gente usa, mas não exagera. Na ata do prêmio eles falam do uso excessivo de tecnologias. Nossos especiais são a maioria em HTML.

Abaixo, trecho da ata de premiação da FNPI que cita as razões que deram o prêmio a Julliana.

Este trabajo se destaca por el excelente planteamiento del tema. Además de ofrecer una buena descripción del fenómeno, se sumerge en las distintas esferas de un problema -el trabajo doméstico infantil- para abordarlo desde lo social, lo económico, y lo psicológico. Ofrece enlaces útiles a documentos legislativos, estadísticas, piezas de denuncias que destacan el valor periodístico y la profundidad del tema.

Finalmente, después de revisar los 15 trabajos periodísticos, el jurado resalta lo siguiente:

  1. La mayoría de las piezas no cuenta con enlaces externos que permitan revisar información relacionada con el tema o con las fuentes.
  2. Se sugiere utilizar los recursos digitales más sofisticados solo cuando dan aportes narrativos y concretos al trabajo.
  3. Los trabajos deben publicarse de manera que, independientemente de las distintas plataformas tecnológicas, sean navegables para todos los usuarios.
  4. Los trabajos deben tener etiquetas especiales para ser ubicados desde buscadores automáticos como Google y Yahoo.
  5. Muchas de las historias presentadas se quedaron en la reconstrucción de hechos del pasado, remitiéndose a documentos históricos y de archivo, y olvidaron la actualidad.Hacen un llamado para que se presenten al Premio historias actuales y seguimientos noticiosos que requieran un gran trabajo de reportería.

Responses

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  1. Mário Marco says:

    August 12th, 2007 at 11:25 pm (#)

    Taí, meu sonho é ter esse nível de coletividade, perceber e sentir esta sintonia, o que ainda se arrasta lá na padaria e os demais reportes, acho que apenas vc André e às vezes um ou outro reporter consegue esta façanha e o resultado é:
    CONSUMO CONSCIENTE;
    RIO MADEIRA;
    CAIXA PRETA;
    ETC…

  2. Yaso says:

    August 13th, 2007 at 1:56 pm (#)

    Concordo com o Mário completamente. Inclusive fiz um post em homenagem a essa integração que ocorre apenas quando trabalhamos com jornalistas que são humildes o suficientes para aceitar nossas sugestões e ouvir as justificativas para cada parte do projeto.

    Esse nível de coletividade, na minha opinião, só se consegue quando cada um sabe o que está fazendo.

  3. Design não é pra qualquer um at Yasodara says:

    October 25th, 2007 at 12:16 pm (#)

    […] da Tam antes e depois do acidente. Outro caso interessante pode ser visto na entrevista no site do André Deak com o pessoal que ganhou o prêmio internet da Fundación para un Nuevo Periodismo Iberoamericano. […]

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