Posted on Aug 30, 2007

GANHEI

Olha só: sou um dos vencedores da promoção do Jornalistas da Web. Ganhei o livro “Os jornais podem desaparecer?”, lançado recentemente aqui no Brasil. Logo eu, que nunca ganhei nada e comemoro até quando ganho papel no trânsito.

Os concorrentes tiveram que ler o sumário da obra e, baseado nele, responder à pergunta: “O que os jornais impressos poderiam fazer para sobreviver na era da informação?”

Minhas sugestões foram:

“Imprimir suas notícias em guardanapos. Os guardanapos nunca sairão de moda; Inventar novas e melhores promoções, como ‘assine nosso jornal e ganhe automaticamente um porsche’; Contratar a Gisele Bundchen e o Rodrigo Santoro para vender assinaturas de porta em porta”.

Os outros sete vencedores foram mais sérios:

“Os jornais impressos poderiam ser publicados com uma periodicidade menor e com um conteúdo mais aprofundado e apurado.”

“O jornalismo online é marcado por um dinamismo tão grande, com a possibilidade de atualização instantânea das notícias na Web, que quando os jornais chegam até nós pela manhã dizendo que “ontem” aconteceu determinado fato ele já se encontra velho para os leitores do veículo. Muitas vezes uma notícia sobre o ocorrido já foi lida online até com exatamente a mesma redação que o impresso traz no dia seguinte. Seria interessante, na minha opinião, que os jornais impressos se empenhassem em fazer análises aprofundadas sobre os fatos dos dias anteriores, acompanhando seus desdobramentos e conseqüências. “

“Apostar em notícias locais e da sua região. No caso de notícias de caráter nacional, sempre devem ser contextualizadas com assuntos da sua região”

Veja as outras aqui.

Posted on Aug 28, 2007

TV PÚBLICA OU CHAPA BRANCA?

Essa é a pergunta na cabeça dos que acompanham o processo de criação da nova empresa pública (estatal?) brasileira de comunicação.

Algumas pistas nas entrelinhas:

Indicação de conselheiros por presidente coloca autonomia da TV em risco, para organizações

Escolha de conselheiros da TV pública não está fechada, responde governo

Para acompanhar esse processo, vale acompanhar o Observatório do Direito à Comunicação

E o Savazoni, recentemente, levantou uma outra lebre. Depois da TV Pública, por que não um Portal Público de Comunicação?

Posted on Aug 27, 2007

O COMEÇO DO FIM DO SECOND LIFE

José Murilo Junior escreveu em um post muito do que eu gostaria de ter escrito, com a devida pesquisa e análise, sobre o Second Life. Mas não tive tempo nem vontade.

Sugiro o texto dele: Metaversos: o hype, a bolha e o futuro

[esse post aqui também é pra me lembrar de colocar um link ao lado, no Blogs Amigos, pro Murilo - e de explorar o blogroll dele, que me parece ótimo]

Posted on Aug 25, 2007

NOVAS REDAÇÕES PARA NOVAS MÍDIAS

A mudança física de uma redação ajuda a mudar a mentalidade do jornalista? Por outra: a unificação das redações de TV, internet, jornal e rádio facilita a integração da pauta, da apuração, da edição e da veiculação?

Essa, ao menos, parece ser a tendência mundial – apesar de alguns chamarem isso de modismo.

[abaixo, a redação do jornal El Tiempo, da Colômbia]

Quem apostou na inovação recentemente foi a redação do El Tiempo, por exemplo. Achei, no Infotendencia, um link para o Cobertura Digital, exatamente sobre essa experiência nas redações da América Latina. Lá, Christian Espinosa conta que o mais impressionante na visita que fez à redação do El Tiempo é “que há um set de televisão bem no meio. É a mostra de que o Grupo El Tiempo já não pensa só em papel, mas em conteúdo”.

“El set de TV es la apuesta por los contenidos en video producidos por la redacción digital que no están apartados como bichos raros en otro piso o en una oficina alejada de la redacción principal. Está incrustada en medio de los periodistas que cubren su información para la versión impresa.”

Espinosa se pergunta “por que integrar as redações?”, e responde com um memorando interno (2005) dos editores executivos Bill Keller e Martin Nisenholtz, do New York Times, quando iniciaram a integração das redações do impresso e do online. Abaixo, um trecho dele:

“By integrating the newsrooms we plan to diminish and eventually eliminate the difference between newspaper journalists and Web journalists — to reorganize our structures and our minds to make Web journalism, in forms that are both familiar and yet-to-be-invented, as natural to us as writing and editing, and to do all of this without losing the essential qualities that make us The Times. Our readers are moving, and so are we.”

Michael Smith, no ótimo artigo Do new newsroom create new content?, diz que não há nenhum estudo que comprove que arrastar os móveis da redação, derrubar paredes e mudar o nome de algumas funções mude a cultura das redações. Mas algumas visões sobre a própria profissão já estão sendo revistas. Ele cita Marcel Proust: “The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes but in having new eyes.”

Fairfax

Veja o desenho acima: é a planta da redação do grupo Fairfax, na Australia, que resolveu juntar várias operações jornalísticas que possui no país. O editor Mike van Niekerk disse:

“There’s no guarantee that if you adopt the second approach you will be a successful media company in the future but I am sure that if you do not you will eventually shrink in size and probably fail as a business. To give yourself a chance of success you will have to change the structure of your newsroom and the workflow of your journalists and for both of these you are going to have to change your culture. ”

“The reason is simple: our audiences are on the move. They are increasingly accustomed to finding out what’s happened or what’s important when it’s convenient for them, wherever they are. Digital technology has changed the game. They no longer rely solely on the morning newspaper and the evening network news.”

E para terminar:

“Now, it really doesn’t matter what the floor layout is, the key to what you’re looking for is better communication. It’s about having people next to each other who can make quick decisions informed by regular communication. Physical distance is the greatest barrier to good decision making in the news room.”

Jonathon Landman, editor do grupo Times, diz mais ou menos isso, após quase dois anos depois do New York Times ter juntado num mesmo espaço a redação do impresso e do online:

“A year and a half into our integration experiment, newspaper people have learned the usual new tricks. Reporters blog and podcast. They shoot some video; so do photographers. Editors work alongside product developers, helping to plan, execute and manage new web products like verticals and topics pages”.

No Brasil, como disse Eduardo Tessler, há pouca coisa acontecendo.

PS: Vale a pena conhecer o estudo de Guillermo Franco e Julio César Gusmán, jornalistas do El Tiempo, produziram um estudo sobre o estado do jornalismo online na América Latina. Entrevistaram 70 chefes de websites noticiosos, em quase todos os países da região. É um bom termômetro para saber como andam as redações na internet por aí.

Posted on Aug 22, 2007

REPORTAGENS MULTIMÍDIA FINALISTAS

Dois trabalhos nossos, da Agência Brasil, ficaram entre os finalistas do Prêmio Caixa de Webjornalismo. Os outros três finalistas são trabalhos do JC OnLine, site que investe bastante no conteúdo multimídia (como contou em entrevista a este blog Julliana de Melo, que ganhou o prêmio da FNPI). Veja a lista dos indicados, com links para os trabalhos.

Prêmio Caixa de Webjornalismo

Trabalho: A retomada Indígena
Autor: Juliana de Melo e Inês Calado
Veículo: JC OnLine/Recife/PE

Trabalho: Educação sem fronteiras
Autor: Inês Calado e Gustavo Belarmino
Veículo: JC OnLine/Recife/PE

Trabalho: Terra invadida
Autor: Pedro Biondi
Veículo: Agência Brasil/Brasília/DF

Trabalho: Tubarão – Pernambuco em alerta
Autor: Isabelle Figueiroa e equipe
Veículo: JC OnLine/Recife/PE

Trabalho: Usinas no Rio Madeira: problema ou solução?
Autor: Pedro Biondi
Veículo: Agência Brasil/Brasília/DF

Posted on Aug 21, 2007

ENTREVISTA: EDUARDO TESSLER

Eduardo Tessler é representante no Brasil da Innovation Media Consulting. A empresa norte-americana trabalha com consultorias em redações jornalísticas, e Tessler, especialmente, participou de alguns projetos de redações integradas (na Grécia, por exemplo). Abaixo, uma breve entrevista sobre o jornalismo multimídia integrado.

Qual redação está realizando a integração de mídias no Brasil?
Tessler:
No Brasil, praticamente ninguém. O Globo tem alguma interação entre jornal e online. O Estadão mudou o site recentemente, mas as redações continuam separadas. As empresas que poderiam ser inovadoras, como a RBS, são extremamente conservadoras. A RBS anunciou que irá criar outra redação para um outro produto [em vez de integrar as existentes].

Eles montam um site para ver o que acontece. Fazem um pacote de anúncios, do tipo: ganhe publicidade no site se comprar na TV… Não é assim que vão chegar nos patamares americanos. O Washington Post já tem mais de 20% da receita vindo do site. Do New Yorkt Times, mais de 30% da receita vem do site (mas eles tem muitos subprodutos, busca em arquivo, etc.)

Qual o grande erro desses caras? Enxergar multimidia como muitas mídias. Só que é complementar. Por exemplo: Começa a nota no site, dizendo que a informação termina no áudio. Dar a mesma notícia em vídeo e texto não tem o menor valor. Alguns jornais americanos fazem algo brilhante. Um deles, o Roanoke Times fez matérias de capa, não factuais, com complemento de vídeo no site. E tem slide show com as grandes imagens.

Há diferenças de linguagens na produção?
Tessler: A linguagem da internet não é vídeo de TV, é vídeo web, o que tem algumas diferenças. Há uma experiência ótima do Washington Post, filmes com fundo branco, em 2 minutos. Isso tudo prova que o jornalismo está vivo.

E a produção do repórter?
Tessler: Temos que matar a idéia do jornalista que sai com câmera, faz tudo. Não é cobrir a coletiva do Lula com mil aparelhos e fazer tudo igual como se fossem três repórteres (TV, rádio e texto). Não vamos também mandar um repórter de rádio para fazer vídeo. Tem que apostar na complementaridade, aí sim.

E fora do Brasil?
Tessler: The Daily Telegraph é careta e conservador, o jornal mais à direita da Inglaterra, e fez uma superredação. No NYT, os correspondentes já fazem correspondencia multimídia (o correspondente de Paris, por exemplo, faz muito isso. O enviado ao Iraque também fez). The Wall Street Journal acaba de unificar as redações, na linha do web-first.

Como foi a integração do Daily Telegraph?
Tessler: A maior estratégia é o maestro multimídia. É fundamental uma mini-estrutura, cujo maestro tenha na cabeça o que é essa complementaridade. Alguém com conhecimento básico de todas as mídias. E uma pessoa respaldada. A direção tem que acreditar. E tem que ser respeitado pelos colegas das redações. Esse comanda um grupo de duas, três pessoas, ligadas a uns cinco jovens. E eles contaminam as redações.

É preciso de um grupo de pauta, que se reune na véspera, para discutir a cobertura multimidia cinco estrelas – não é toda matéria que será multimídia. Não adianta querer que tudo vire multimídia, não dá. E tudo é auto-referenciado: a TV anuncia as fotos no site, o site anuncia as imagens da TV, etc.

Para encerrar, questão polêmica: jornalista multimídia tem que ter salário multimídia?
Tessler: Acho que não, o jornalista que não é multimídia está fora do mercado. O leitor é multimídia. Como eu quero ser monomídia? O melhor jornalista ganha mais, isso sim. Bônus sim, pelo compromentimento coletivo com a produção.

Tem um exemplo interessante sobre isso. Trabalhei no primeiro jornal computadorizado do Brasil, o Diário Catarinense, e lá existia essa mesma discussão: para usar o computador tenho que ganhar mais. O sindicato dizia que o cara era jornalista, e não analista de sistemas. Se fosse para aprender a usar o computador, teria que ganhar mais. Mas esse debate passa.

Posted on Aug 20, 2007

NYT PASSA A HOSPEDAR BLOGS INDEPENDENTES

Deu no CyberJournalist.net: O New York Times abriga agora o blog Freakonomics, “o primeiro, mas não o último blog bem estabelecido que não é de jornalistas do NYT”, conforme o próprio jornal anunciou.

Diferente do Estadao, que só abriga blogs deles próprios e não fazem sequer referência a conteúdos externos – que podem levar às “vielas escuras e perigosas da internet”.

Posted on Aug 19, 2007

RÁDIOS COMUNITÁRIAS

Bom texto do Rodrigo Savazoni sobre o modelo de distribuição de rádios comunitárias no Brasil e nos EUA. Por lá, o governo resolveu dividir todo o espaço disponível no dial FM para estações não-comerciais. Se não está sendo usado mesmo, por que não dar para quem quer usar?

Por aqui a situação é outra (a não ser em São Paulo, onde foi aberto um inédito processo de abertura para as comunitárias). Fizemos há algum tempo, na Agência Brasil, onde o Rodrigo e eu trabalhamos, uma série sobre a violência do Estado contra as comunitárias (ações da Polícia Federal, com apoio da Anatel e do Ministério das Comunicações). Já precisa ser refeito para atualizar alguns números, mas a situação não mudou muito.

Essa semana saem na Agência Brasil alguns textos sobre a digitalização do rádio. Acho que é o caso de se fazer também uma infografia, para explicar melhor o que é o tal do espectro eletromagnético e como a digitalização vai melhorar o uso desse espaço.

Alguém já viu isso na rede, mais explicado do que essa ondinha da Wikipedia? Sugestões são bem-vindas.

Posted on Aug 18, 2007

DICAS DE ALBERTO CAIRO

Reproduzo trecho de um post do Intermezzo, de quem esteve no curso master de jornalismo com Alberto Cairo (já citei ele em outro post). Boas lições sobre infografia:

  • É melhor uma infografia bem produzida por semana do que dezenas de multimídias ruins ou com pouco valor informativo.
  • No El Mundo, por onde Alberto teve uma expressiva passagem, a equipe de infografia digital participa da reunião de pauta matutina e é ela que propõe a criação de multimídia com base nos assuntos do dia (ao contrário da maioria das redações, nas quais este tipo de iniciativa costuma partir do jornalista).
  • Também no El Mundo, é o próprio infografista quem apura as informações para a sua multimídia. Apesar de nem todos serem jornalistas por formação, todos têm conhecimentos suficientes de redação, apuração e do processo de produção noticioso como um todo para buscar os dados necessários para suas peças.
  • O jornalista precisa conhecer as tecnologias e softwares que compõem o processo noticioso digital, não no nível de especialista, mas sim o necessário para saber quais as possibilidade e limitações de cada tecnologia. Esse é um pensamento antigo que eu já ouvi da boca de muita gente. Apesar disso, ele ainda é pouco incorporado e praticado.
  • “O mundo hoje é informatizado, portanto, o jornalista precisa entender de tecnologia para compreender o mundo ao seu redor. Afinal, é desse mesmo mundo que ele tira a substância para o seu trabalho diário”.

Posted on Aug 18, 2007

CAMPANHA DO ESTADÃO: A TALENT RESPONDE

O diretor de Criação da Agência Talent, João Livi, disparou uma resposta sobre a campanha que causou revolta na blogosfera (a história já chegou à Argentina e aos EUA, pelo menos). Vale ler também a entrevista com o João Livi que o blogueiro Alessandro Martins fez. Abaixo, publico o texto-resposta do diretor:

AGORA QUE VOCÊ JÁ LEU A VERSÃO DO GENERAL CUSTER, LEIA A DOS ÍNDIOS

Nos ultimos dias, vimos reverberar na blogosfera ataques e defesas à nova campanha do Estadão, feita pela Talent. Tudo começou nos blogs de publicidade e nos pegou totalmente de surpresa, principalmente por que o subtexto que foi espalhado por aí, de que o Estadão é contra os Blogs, não foi colocado em nenhuma das peças da campanha. Isso seria extremamente incoerente, já que o Estadão sabe que os blogs não só fazem parte da sociedade como do próprio Grupo Estado. Sendo assim, vamos analisar a questão mais de perto pra saber se houve alguma falha na comunicação da campanha.

Os filmes começam com uma vinheta , World Wierd Web, que já identificam o propósito de fazer humor com a parte estranha, sem noção, da web. No filme em que o rapaz lê o blog de economia do Bruno, o cientista diz que o macaquinho já está copiando e colando textos pela web. É impressionante, mas a reação que esperávamos dos blogueiros é exatamente contrária ao que aconteceu. Quantas vezes, você blogueiro já não encontrou seu texto por aí, fora de contexto, faltando partes e sem os créditos? No outro filme da campanha, dois ruivos colocam informações mentirosas na internet pra sair ganhando alguma coisa. As meninas que são enganadas pelo hoax nunca falam que encontraram essas informações num blog e, do outro lado, um dos ruivos diz apenas “pronto, tá na net”. Nesse caso, nada de blogs. Na mídia impressa acontece algo parecido, apenas um do três anúncios diz abertamente “Blog”, os outros dois usam os termos “página” e “site”.

Desta forma , nós posicionamos o estadao.com em linha com a proposta de credibilidade, conteúdo de qualidade e compromisso do Grupo Estado. Os sites, blogs, veículos e pessoas que frequentam o lado “luz” da internet , obviamente, não devem se sentir atingidos por uma crítica ao lado “escuro” do ambiente virtual, da mesma forma que um bom jogador de futebol não deve se sentir desvalorizado por ter um colega perna-de-pau ou quebrador de joelhos. Ou será que os publicitários que primeiro criticaram nosso trabalho consideraram uma campanha difamatória aos publicitários o fato de um dono de agência ganhar as manchetes por servir de intermediário na distribuição de fortunas em verbas públicas?

Alguém em sã consciência pode defender incondicionalmente todo o conteúdo da internet , com seus hoaxes , pegadinhas, pornografias, ideologias escondidas, baixarias, falsos gurus, falsários, tomadores de dinheiro e tempo, Maranhão do Sul na wikipedia, alterações da história e interesses privados disfarçados de clamor do internauta?

No seminário da Microsoft este ano, em Cannes, os dados apresentados levaram a uma inconteste conclusão: a de que a internet, como as regiões de uma cidade, vai se dividir em duas. Uma útil, crível, inteligente, prestadora de serviço, informativa e confiável. Outra que é como uma rua escura e sem policiamento: vai quem quer, sob seu próprio risco. Vamos sempre promover o estadão.com como parte da primeira metade.

Separar o joio do trigo na internet deveria ser do interesse de qualquer cidadão de bem.

João Livi
Diretor de Criação- Talent