30 ANOS

// March 28th, 2007 // Off Topic

Talvez esteja em algum manual por aí que quando a pessoa vai se aproximando dos 30 ela fique mais suscetível a comprar seguros de vida. Dois bancos já me ofereceram recentemente.

Na primeira vez estranhei mais.
- Oi, sou sua gerente. Já pensou em seguro de vida?
- Humm. Não. Não até agora.
- Então. A gente nunca sabe. Se acontecer alguma coisa, você deixa 50 mil para a família ou alguém que indicar.
- Humm. Acho que não, obrigado.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Tem certeza que não vai acontecer nada?
- Bom, não. Mas se acontecer não é problema meu.

Tanto a pergunta dela quanto minha resposta foram tentativas vãs de fazer piada. Além disso, imediatamente depois de eu dizer o que disse percebi que era uma frase confusa. Morrer é um problema exclusivamente meu. O que acontece depois é que não é. Mas acho que ela entendeu, porque desistiu.

Uns dias depois me ligam de novo, de outro banco.
- Você já tem seguro de vida?
- Já.

Era daquelas que fala sem parar, conforme o manual. Começou a falar das mil vantagens de morrer e deixar os outros felizes. Era só uns centavos por dia, R$ 10 por mês. E ainda participa de um sorteio de R$ 18 mil no último sábado de cada mês. Estava quase me interessando.
- Mas mesmo assim, obrigado.
- Inclui seguro urna, ou, se preferir, cremação.
- Céus.

Ninguém nunca tinha me oferecido uma cremação antes. Me senti um pouco estranho. Não aceitei, mas confesso que fiquei com vontadinha.

(PS: escrevi essa depois de ler isso aqui)

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