Posted on Mar 31, 2007

CASOS: A INFOGRAFIA EM BOGOTÁ E UMA FÁBRICA DE IDÉIAS

Acompanhando as discussões do Simpósio no Texas sobre infografia, encontrei duas coisas interessantes:

1. o jornal de Bogotá “Semana“, que pratica e ganhou vários prêmios de infografia. São melhores do que muitas, senão quase todas, produzidas no Brasil (inclusive, esteve no simpósio um cara do UOL e, pelo relato da jornalista que acompanhou o painel, foi de dar vergonha)

2. Esteve no seminário o Brian Storm, presidente do MediaStorm. Trata-se de uma empresa, prestadora de serviços jornalísticos multimídia para jornais, TVs, revistas ou o que for. Tem uma equipe capacitada para produzir um material multimídia como poucas vezes vi na rede. Gostei especialmente do menu de navegação da abertura do site.

Posted on Mar 31, 2007

INFOGRAFIA E JORNALISMO ONLINE NO TEXAS

The transformation of storytelling techniques – How video and interactive features are changing news production routines.

Esse foi o nome de um dos painéis apresentados durante o Simpósio de Jornalismo Online que o professor Rosental Alves realiza na Universidade do Texas. Mais de 250 pessoas se inscreveram para acompanhar durante dois dias discussões do mercado do jornalismo digital e da academia. (CiberjornalismoBr publica textos em português sobre o encontro)

Um destaque interessante: Andrew DeVigal, editor multimedia do New Yorl Times, mostrou como sendo um dos melhores trabalhos do jornal justamente uma das infografias que utilizamos como ponto de partido para o que estamos fazendo agora: Faces of the Dead in Iraq. (só funciona no IE)

Muito trabalhosa e de apuração constante, mas o interessante é que os autores não esperam, obviamente, que o usuário navegue por toda a infografia (são centenas de páginas). A idéia é justamente mostrar que as mortes no Iraque não são apenas números, mas pessoas (claro, aliás, que só os soldados americanos estão na infografia). O importante é que em um clique isso fica claro.

Achei interessante também a avaliação da repórter que cobre o painel pelo blog: “Parece, apesar de pesquisas nao ratificarem esta opinião, que a infografia encontrou e apresenta um caminho narrativo muito interessante para o jornalismo digital.”

Posted on Mar 31, 2007

A IMPORTÂNCIA DO VÍDEO EM WASHINGTON POST E EL PAIS

Em março de 2007 o jornal Washington Post segue a linha do que já havia feito o El País pouco tempo antes: coloca o vídeo em na posição mais nobre de suas páginas: o canto superior esquerdo.

“Nossa equipe de vídeos produz alguns dos melhores, mais aclamados trabalhos da rede, com prêmios que vão de Emmys ao Murrows – os leitores precisam saber como encontrar isso”, diz Jim Brady, editor executivo do washingtonpost.com

Brady disse na semana passada, num painel em New York, que 85% dos repórteres do Post impresso estão sendo treinados com vídeo câmeras. No site são veiculados “talvez cinco ou seis vídeos filmados por esses repórteres semanalmente”.

Fonte: Editor&Publisher

Posted on Mar 28, 2007

30 ANOS

Talvez esteja em algum manual por aí que quando a pessoa vai se aproximando dos 30 ela fique mais suscetível a comprar seguros de vida. Dois bancos já me ofereceram recentemente.

Na primeira vez estranhei mais.
- Oi, sou sua gerente. Já pensou em seguro de vida?
- Humm. Não. Não até agora.
- Então. A gente nunca sabe. Se acontecer alguma coisa, você deixa 50 mil para a família ou alguém que indicar.
- Humm. Acho que não, obrigado.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Tem certeza que não vai acontecer nada?
- Bom, não. Mas se acontecer não é problema meu.

Tanto a pergunta dela quanto minha resposta foram tentativas vãs de fazer piada. Além disso, imediatamente depois de eu dizer o que disse percebi que era uma frase confusa. Morrer é um problema exclusivamente meu. O que acontece depois é que não é. Mas acho que ela entendeu, porque desistiu.

Uns dias depois me ligam de novo, de outro banco.
- Você já tem seguro de vida?
- Já.

Era daquelas que fala sem parar, conforme o manual. Começou a falar das mil vantagens de morrer e deixar os outros felizes. Era só uns centavos por dia, R$ 10 por mês. E ainda participa de um sorteio de R$ 18 mil no último sábado de cada mês. Estava quase me interessando.
- Mas mesmo assim, obrigado.
- Inclui seguro urna, ou, se preferir, cremação.
- Céus.

Ninguém nunca tinha me oferecido uma cremação antes. Me senti um pouco estranho. Não aceitei, mas confesso que fiquei com vontadinha.

(PS: escrevi essa depois de ler isso aqui)

Posted on Mar 28, 2007

ZEITGEIST

Em alemão significa “espírito do tempo“, mas isso não explica nada. É mais ou menos quando várias pessoas que não se conhecem têm a mesma idéia ao mesmo tempo – como inventar o avião ou o rádio, por exemplo. Estava na hora histórica de alguém inventar isso.

O google tem uma página com esse nome que mostra quais as buscas mais feitas pelas pessoas na última hora, dia, semanas, meses. Inclusive no Brasil – com algum delay.

Posted on Mar 28, 2007

RELATO-RELÂMPAGO

Fresca noite do segundo turno.
Um dia infernal, mas honesto. Vontade de beber, relaxar, acabou tudo.

Maldita cidade, tudo fechado. Compramos uma caixa de cerveja e fomos sentar embaixo dos coqueiros atrás do Congresso. Dava para ver uns bêbados na Praça dos Três Poderes e os gabinetes no Palácio do Planalto por onde passsaram tantos aloprados.

Eis que se ouve o som de violinos.

Dois violinos, dois violões e alguém dando pulinhos e batendo os calcanhares. Embaixo dos coqueiros atrás do Congresso. Se fosse um filme brasileiro, eu acharia ruim. Mas estava ótimo.

Agápê, um catador de latas (“de material reciclável”, como ele prefere), chama os músicos pra perto.
- Toca Belchior, pede.
Eles tocam Renato Russo, sem saber que nenhum de nós é da cidade. Tocam e vão embora.

- É Lula lá e Alckimin, repete HP, até entendermos a piada:
- É Lula lá e álcool-in-mim.

Todo mundo ri gostoso.

XXXXX

PS: Lembrei dos relatos-relâmpago que fazíamos no blog coletivo do EmCrise. Mando aí embaixo outro daqueles.

João queria ajudar, mas não pôde.
Freqüentemente escutava gritos na vizinhança. Tiros até.
A polícia não vai – tem medo. O Estado não chega – tem medo.
Um dia esmurraram sua porta gritando em desespero que abrisse, que ajudasse.
Abrir significava a morte. Não abrir significava a morte.
João ficou doente com tanta desgraça; foi embora de Ipê-Amarelo.
Um simples homem não será capaz de mudar a rotina das favelas de Minas.

XXXX

Dois trompetes, um trombone, uma tuba e uma trompa cantavam sob as árvores da rua.
Os mais velhos sorriam de prazer. As crianças escutavam com curiosidade. Os pássaros apenas voavam.
Entre a correria e o som dos automóveis de São Paulo, cinco homens sopravam metais sem compromisso numa tarde de sol.
Era só mais um desses domingos do Sesc Pompéia.

XXX

“Não gosto de coxa de frango. Cometi um homicídio em que o rapaz morreu com uma coxa de frango na boca. Me traz lembranças ruins.”
Antes do almoço o preso José havia mostrado ao repórter a solitária. Estava destrancada.
“Quando alguém faz algo ruim, trazemos ele para essa cela forte, para ele pensar melhor”. Tentava esconder o sorriso quando puxou a pesada porta de ferro.
Havia uma imagem de Jesus Cristo pendurada na parede, um tapete, seis cadeiras sobre ele e uma bíblia aberta abaixo da cruz.
Era uma prisão diferente.

Posted on Mar 26, 2007

PRÊMIO MULTIMÍDIA PARA O WP

Being a Black Man“, produto multimídia do The Washington Post, levou o prêmio para a categoria, no concurso BOP 2007 (The Best of Photojournalism). O BOP é um projeto da National Press Photographers Association. Todos os resultados para fotojornalismo online estão agora disponíveis.

Copiado do GJol 

PS:  Se o que estamos fazendo der certo…

Posted on Mar 26, 2007

OBJETIVIDADE E INFOGRAFIA

Desde o início no jornalismo, trabalhei com maior ênfase no texto, reportagem escrita. Conheço algumas das ferramentas para aproximar um texto da objetividade – assim como, também, reconhecer quando se usam pequenos artifícios justamente para parecer objetivo para, no fundo, engambelar o leitor ou pelo menos dar aquela forçadinha para o lado que o autor (ou o editor) pende. Tem muito disso.

Recentemente entrei na era da infografia digital, multimídia. Nesse terreno, que muito herda da fotografia, ainda trabalho no campo do subjetivo, muitas vezes. No entanto, não trabalhamos com jornalismo subjetivo por aqui – ou não deveríamos. Sem querer, às vezes, ainda acontece.

Exemplo: a infografia sobre o PAC (Programa de Aceleração de Crescimento), ficou visualmente bonita. Entretanto, trata-se de um gráfico pizza simples, mas, em vez de um círculo, há uma moeda de um real, divida. Na verdade, à primeira vista, parece uma moeda de um real quebrada em várias partes. Ou seja: o Real, quebrado. Sem querer, a infografia traz uma mensagem negativa embutida, totalmente subjetiva. O gráfico pizza clássico é mais objetivo, mas muito menos “saboroso” de ler. Assim como um texto em pirâmide invertida é muito mais chato que o jornalismo literário. Mas é muito mais objetivo. Ou não?

Quero escrever depois mais demoradamente sobre isso, mas por hora valem esses comentários e lembretes.

Posted on Mar 26, 2007

PARA LER

Convergência jornalística, modelos de negócios, narrativas e multimídia, ética, mercado de trabalho na era digital são alguns dos aspectos discutidos nos artigos publicados no vol. 60, n.4 do Nieman Reports, que tem como tema o Jornalismo e as Novas Tecnologias de Comunicação

Interessante o texto sobre treinamento de jornalistas para o multimídia e a infografia produzida por um deles, sobre como os fogos do 4 de julho afetaram os animais de uma clínica veterinária. Em vez de escrever um texto “a prefeitura disse/os donos da clínica dizem”, a jornalista filmou os cães antes, durante e depois dos fogos. (Fear on the Fourth é o nome do especial).

Posted on Mar 26, 2007

GOOGLE GRID

GRIDInteressante a teoria Google versus Microsoft que já circula pela rede. O primeiro passo seria o Google Grid, algo como um sistema operacional e browser on-line, do Google. Quem já viu o que o Yahoo fez com o e-mail deles não se surpreenderia com isso (é uma espécie de outlook express, mas on-line. Não precisa instalar o programa no seu computador e é incrivelmente semelhante – e bom).

Agora, interessante mesmo é a especulação sobre como será a rede em 2015, nesse vídeo aqui. (Tenho certeza hoje de que esse é um vídeo pago pela Google)